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A certeza de ter sido amada

Minha prima foi me visitar no interior, quando eu fazia faculdade por lá. Linda e feliz, ela chamava a atenção por onde passava e entre meu grupo de amigos não foi diferente. Eu era apaixonada por um dos meninos, mas tínhamos nos desentendido e decidido esquecer a história e continuarmos só amigos mesmo.

E, claro, como Murphy me adora, minha prima se encantou logo com o mocinho que eu gostava. Perguntou se me importaria e, como achava que não teria mais nada com ele, disse que tudo bem. Com o coração partido, mas disse.

Ela tentou. Tentou. Tentou. Nada. Para espanto de todos, o moço, que normalmente não deixava escapar nada, que tinha fama de ter a melhor lábia entre os meninos, não reagiu. Por mais que ela deixasse claro que queria ficar com ele, nada acontecia. Fomos embora, ela voltou para a casa e eu fiquei sem entender por que, afinal, ele havia negado fogo para uma menina que todo mundo queria.

Ontem conversávamos sobre a vida, fazia tempo que não nos falávamos. E surgiu o assunto de que a prima vai casar. Lembramos a história e finalmente, depois de mais de cinco anos, perguntei para ele por que não ficou com ela, mesmo com todo o assédio. A resposta foi a única que não imaginei na época. “A gente tinha uma história, não era um namoro, mas eu gostava de você. Não queria queimar minhas chances com você por fazer família”.

Cara, como eu queria ter ouvido isso naquela época! E como foi bom ter ouvido isso ontem. Não, já não tenho nenhum sentimento além da amizade por ele. Aliás, sou super fã da noiva dele, ela é bacana mesmo, um exemplo de mulher. Mas saber que por um tempo eu fui tão importante para ele a ponto de ele ter preterido uma mulher muito mais bonita que eu fez um bem danado a minha auto-estima.

Em menos de um mês, tive provas carinho que desejei tanto, que me eram tão importantes e que nunca soube se havia tido ou não. É difícil de explicar, eram dúvidas sobre minha capacidade de ser amada mesmo. De repente, sem que eu tivesse que fazer nada por isso, tive a certeza de que o que eu intuía era real.

Os meninos da minha vida, aqueles que tanto me balançaram e me fizeram pensar, me amaram também. E só por essa certeza, já sou imensamente grata, porque tenho a garantia de que algo de bom devo ter.

Dos três que mais me importaram, apenas um nunca me deixou saber como realmente se sentia a meu respeito. Ok. Os outros dois demoraram mais de cinco anos. E com este último, o fim não aconteceu nem a um direito. Quem sabe no futuro, nós possamos ser amigos o suficiente para que ele me conte?

O de agora? Esse sei que nunca vai dizer nada. No futuro, ele será casado e nem lembrará que um dia passei pela vida dele. Agora, ao menos, sei que a maior perda é dele.  🙂

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Now playing: Rita Lee – She Loves You
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Add a comment 3 de abril de 2008

Dele

Sabe aquela pessoa que não tem nada a ver com você, mas que te causa um frio na barriga imenso? Ele era assim. Nem lembro exatamente quando a gente se conheceu, era muito pequena. Ele sempre viveu no interior e eu sempre fui uma menina da cidade.

Adolescente, fui visitar a avó dele e nos encontramos. Uma situação meio desconfortável: ele havia saído com os  amigos e, quando chegou, estava dormindo no quarto dele, na cama dele. Ele entrou e tomou um susto. Depois, pegou uma muda de roupas e foi para a sala de TV.

Estava sempre sorrindo, parecia não me levar a sério, o que, para uma garota de 14 anos é o fim da picada.

No carnaval do mesmo ano, fomos para outra cidade do interior, casamento de um outro primo. Saímos da festa e fomos para um barzinho, onde outra prima passou a noite a cercá-lo. Mas não teve jeito. A história dele era comigo…

Óbvio que não deu em nada. Dois anos se passaram e fui ao casamento dele, o único em que não chorei. Porém, a sensação de estar perto dele nunca mudou. Pode parecer loucura – e é -, adoro a família dele. Só não consigo deixar de achá-lo um homem como poucos. Homem de verdade, apesar de toda a doçura.

Por que lembrar disso hoje? Porque é o dia dele…

Add a comment 23 de fevereiro de 2008

O tempo cura o que a razão não consegue curar*

É engraçado como as coisas mudam sem que a gente se dê conta. Cabe uma história.

Há alguns anos, quando ainda estava na faculdade, uma menina da minha sala começou a namorar um cara de lá também. Eu gostava dela e não entendia o que ela vira nele. O talzinho era todo largado, apesar de ter seu próprio carro e obviamente ter um bom padrão de vida. Ia para a faculdade com as roupas amassadas, de camisa aberta e Havaianas (quando isso estava longe de ser um hype – aliás, acho que no interior, nunca será). Ela era uma menina doce, bem educada, dedicada, estudiosa.

Pois bem, como tudo é relativo, quando eles tiveram uma primeira discordância, ela veio conversar comigo. Apesar de não ser muito fã do rapaz, joguei a favor do namoro, porque via que eles eram felizes. E assim o fiz por todo o tempo em que eles namoraram.

Ironias do destino, ele tornou-se um dos meus melhores amigos de faculdade, freqüentávamos a casa um do outro e todas as vezes em que eles brigavam, lá vinha ele conversar, para pôr a cabeça no lugar. Sempre voltavam, até que um dia, nem toda a conversa com chá na cozinha do meu apartamento deu jeito. Fiquei triste por eles, principalmente porque ainda via amor.

Cerca de um mês depois do término, ele foi em casa, me ajudar a entender a internet (sim, já fui uma analfabeta digital…).  Senti algo diferente, a proximidade me incomodou, lembro de ter sentido um frio na barriga quando ele passou o braço pelo encosto de minha cadeira. Depois, todas as vezes em que ia a casa dele, não conseguia ficar perto: me fechava em copas, sentia vergonha, mas não sabia exatamente de quê. Sempre dormira na cama dele com ele e outras pessoas em dias de festas. De repente, me vi fugindo louca de tequila, com medo de ter que dormir com ele ali. E, em outra festa, depois de ouvir um poema de Vinícius de Moraes que falava sobre amigos que se tornavam amantes, corri léguas.

O que não queria admitir era que existia uma atração. Isso me fazia sentir mal, porque gostava da menina, não queria que ela ficasse triste.

Claro que dias antes do final do semestre, aconteceu o que tinha para acontecer. E começamos a ficar juntos. Passamos a barreira da amizade, sem divulgar isso, sem fazer alarde. Principalmente para poupar a garota.

Ela descobriu meses depois, quase um ano. Invadiu o e-mail dele e descobriu uma mensagem minha, pedindo desculpas por ter me apaixonado, depois de uma briga. Ela ficou brava, disse que eu era uma traidora, usou nomes que não quero repetir aqui. Parou de falar comigo. Nunca me deixou explicar o que acontecera: tanta proximidade acabou por nos unir. Ele não havia deixado de amá-la, mas resolveu se dar uma chance com outra pessoa.  Eu estava ali.

Meu relacionamento com ele durou três anos, aproximadamente. E terminou como todos os outros: tornamo-nos amigos, chegamos a conclusão que não havia mais tesão entre a gente. Juntos, no mesmo momentos, sem mágoas ou dor.

Anos se passaram, ele está noivo, ela se casou com outro e eu continuo na estrada. Ela acabou de voltar do exterior, onde foi morar com o marido e mandou um e-mail para a lista da sala, quer um emprego. Recebi uma vaga. Depois da conversa com meu chefe, já não passou mais pela cabeça deixar meu lugar, adoro o que faço. Resolvi repassá-la para a menina. Aquela que um dia disse coisas horrorosas a meu respeito.

Vontade de ir para o céu direto? Talvez. Mas acho que foi um jeito de resgatar alguém que se magoou por minha causa, mesmo que não tenha tido culpa.  Quero ajudar e quero que ela entenda que jamais quis causar dor. Não tive escolha quando me apaixonei por ele. Eles já não estavam juntos e eu estava perdidamente apaixonada. Espero que ela entenda.

* O título é uma frase que adoro de Sêneca.

Add a comment 13 de fevereiro de 2008

Favourite place

Era para eu ter trabalhado durante todo o dia, mas resolvi que não ganho tão bem que mereça dar meu final de semana todinho só para fechar antes.

Depois de ir à cabeleireira (ai, que delícia!), fui almoçar com minha família e rumamos para a Pinacoteca do Estado, aqui em São Paulo. Para quem não conhece, vale muito a pena. Há quatro exposições por lá no momento, fora o acervo fixo do segundo andar: Tarsila do Amaral, Boris Kossoy, Fundação Estudar e Ledo Ivo.

A primeira é uma de minhas grandes paixões. Tarsila foi uma das molas propulsoras do modernismo brasileiro. Foi muito emocionante ver A Negra, Abaporu e Antropofagia juntos. Só hoje percebi – meu Deus, como sou pomba-lesa – que o último é a união dos dois primeiros. A alegria das cores da artista nos anos 20 dá uma tremenda vontade de criar uma coleção inteira de moda com inspiração nela, na fã de Poiret. O final da vida é triste, porém, a arte a fez imortal. Vale ler os painéis com a biografia da grande dama da arte brasileira.

A Cuca da Tarsila - homenagem ao Gordinho

Não entrei na sala de Boris Kossoy. Estava cansada e, por conta de minha eterna escoliose, com dor nas costas. Sei que ele é uma sumidade em fotografia no Brasil e que é membro da USP. As fotos dos banners no exterior da sala são bonitas, mas nada que me animasse.

A Fundação Estudar foi uma grata surpresa. Narrativas e Versões era o nome da exposição de obras que foram doadas à Pinacoteca pela Fundação. Um mar de Debret e artistas que retrataram o país, principalmente nos três séculos depois do descobrimento. Como cidadã, me senti agraciada e agradecida.

Por fim, Ledo Ivo toma conta dos salões que ligam as salas de exposição climatizadas com obras muito coloridas, que dão vontade de viver e sorrir. Vontade enorme de pegar o maior e mais coloridos dos quadros e colocar na parede do meu quarto.

A famlia aplaude Ledo Ivo. Eu quero esse quadro!

Amo a Pinacoteca, é meu museu preferido em São Paulo. Nunca me esquecerei de ter visto Rodin pela primeira vez lá, depois de nove horas de fila. Nunca me esquecerei de ter ido passear por lá e pelo Parque da Luz com o querido Henrique, quando voltávamos de nossas aventuras no mundo exterior pela primeira vez. Naquele café, passei horas de uma conversa que mudou muita coisa em mim.

Recomendo.

Gordinho, nosso guia, descansa depois de muita andança…

2 comentários 9 de fevereiro de 2008

Ansiedade diferente

Ontem ele chegou. E se isso tivesse acontecido a uns dois, três anos, eu teria um treco de tanta ansiedade. Aliás, eu tive! Foi engraçado, fui parar no hospital porque achei que ia morrer sem ar, cheia de cãibras e, o pior, sem vê-lo! Aí, fui para o aeroporto de madrugada, ele chegou atrasado e quando o vi, minha vontade era abraçar e não largar nunca mais.

Quando fui pra lá, não foi muito diferente. Mas não tive nenhum siricotico, afinal, passar mal fora do país, nem a pau! E foi ótimo encontrá-lo. Lembro claramente de esperá-lo na saída de uma estação de trem em Barcelona, em uma grande avenida. De repente, ele apareceu. E fomos tomar uma “clara” (chopp com limão) antes de jantarmos com uma turma. Foram dias muito felizes.

Desta vez, foi diferente. Fiquei ansiosa sim, admito. Bem menos que antes, mas ansiosa. Tentei descobrir o vôo, pensei em ir encontrá-lo na balada, mas não passei disso, de pensamentos. No fundo, estou com um tremendo medo de como será vê-lo depois de tanta turbulência. Consegui irritar até mesmo Mr. Brightside.

Ao mesmo tempo, durante meu sonho, pela segunda vez consecutiva, vi o Terrorista com uma proximidade que deixou uma coisa bem clara: este coração está sob nova direção mesmo. Apesar de até em sonho ser complicado ficar muito perto sem sentir uma tremenda… ANSIEDADE!

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Now playing: Ana Carolina – Que Se Danem os Nós
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Add a comment 1 de fevereiro de 2008

Thi e Kátia

Então eles foram jantar lá em casa. E foi difícil segurar a fome, já que costumo chegar, comer, tomar banho e dormir. Agüentei.

Quando éramos bem mais novos, a união deles ajudou a nos afastar. De repente, era incoveniente permanecer perto dele, pegava mal sair com um cara que tinha namorada. Mesmo que esse cara fosse meu primo mais próximo e que o mundo soubesse que eu era apaixonada cegamente pelo primo dele. Veio o afastamento e a tristeza pela distância. Por mais que compreendesse, sofri.

Depois, a vida ajudou para que a lonjura aumentasse. Fui morar fora, voltei, comecei a trabalhar desesperadamente, ele ficou noivo e casou.

Antes do casamento, encontrei com ele e com o primo, que aí já era um grande amigo (vide post de 7/1/2008) e colocamos os pingos em todos os is. Naquela noite de fevereiro de 2006, senti um alívio que dois anos de terapia não haviam me trazido. Estávamos próximos de novo, voltamos  a ser amigos-irmãos, como foi durante praticamente a vida inteira.

No dia do casamento, ela entrou na igreja linda, feliz e ali percebi que ele havia feito o certo. Escolheu uma mulher decidida e que o ama para levar a vida em frente. Ela se tornou minha prima também, parte de minha família, alguém a quem defendo sem pestanejar. Até pensei em explicar algumas coisas, mas achei que não precisaria, pois ela entenderia sozinha. Acertei.

Ontem, as portas de minha casa se abriram mais uma vez para o casal. As portas do coração estão abertas sempre. A gente não apaga o que foi, ainda bem. Naquele cara que foi lá em casa ontem,  ainda vejo o menino que ia comigo no convento em Itanhaém. E nela, vejo a mulher que faz dele um homem feliz. A eles, meu amor, sempre.

Thi e Kátia em Ubatuba

Add a comment 31 de janeiro de 2008

Faltas

Apesar de tensa com uma prova de verificação suplementar de Contabilidade, cá estou eu.

Li uma matéria sobre um determinado blog em uma revista e resolvi lê-lo na internet. Fiquei extremamente emocionada e, para variar, coisa que pouco faço, acabei pensando em minha própria vida. Sobre as pessoas que fazem falta, sobre as que amo e amei, sobre as que me abandonaram e as que abandonei pelo caminho.

Acho que das saudades que tenho, a mais ingrata é a que sinto pelo meu avô, que nos deixou em 2003. Mas esta é óbvia, todos que tiveram bons relacionamentos com os avós sentem falta deles quando morrem.

Depois, provavelmente colocaria falta de mim mesma. De quem fui um dia e sei que não voltarei a ser. Porque temos idades em que podemos nos expor ao ridículo, que podemos dançar a noite inteira de salto 15 e não sentir efeitos, de fazer balada de quinta a domingo sem parar e ainda querer mais. Idade em que vamos para a faculdade e temos certeza de que o mundo se renderá ao que somos e não o contrário. E que nossos amigos de então serão aqueles que estarão para sempre ao nosso lado. Sem perceber que o sempre pode ser tão efêmero como o nunca ou o amanhã.

Com cinco anos, tinha longas conversas com o corrimão de casa e queria meus pais por perto. Com 15, achava ter encontrado o grande amor da minha vida, aquele com quem me casaria, teria filhos e contruiria um lar, enquanto advogava. Com 20, a vida era festa e o jornalismo era o futuro. Agora? Sejamos realistas, apesar de tudo, nunca fui tão confiante em meu próprio taco, nunca tive versão melhor de mim mesma. Tenho carreira, tenho planos, estudo. O único porém é, justamente, ter de quem sentir falta. Porque, por mais que ame meus amigos e que eles sejam de fato escolhidos a dedo, nem tempo para sentir falta tem sobrado. Saudade de ser disponível, de ter vontade de algo mais que me jogar em minha cama.

E amor, meu Deus do céu? Onde eu coloco a falta que faz conseguir perder horas apaixonada e me apaixonando, mesmo que pelos caras errados? A vida anda tão prática que minha paixão atual me dá trabalho. Em todos os sentidos!

Será que existe alguma possibilidade de viver de novo o que fui um dia? Como conciliar a alegria da juventude com a responsabilidade de construir presente e futuro? Porque temos que aprender a ser maduros, responsáveis, profissionais, se tudo isso tende a nos fazer menos felizes?

Tantas questões para uma vida que, temo, seja curta demais para trazer respostas.

Em que parte do caminho eu perdi esse brilho?

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Now playing: Mariah Carey – When You Believe
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Add a comment 24 de janeiro de 2008

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