O tempo cura o que a razão não consegue curar*

13 de fevereiro de 2008
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É engraçado como as coisas mudam sem que a gente se dê conta. Cabe uma história.

Há alguns anos, quando ainda estava na faculdade, uma menina da minha sala começou a namorar um cara de lá também. Eu gostava dela e não entendia o que ela vira nele. O talzinho era todo largado, apesar de ter seu próprio carro e obviamente ter um bom padrão de vida. Ia para a faculdade com as roupas amassadas, de camisa aberta e Havaianas (quando isso estava longe de ser um hype – aliás, acho que no interior, nunca será). Ela era uma menina doce, bem educada, dedicada, estudiosa.

Pois bem, como tudo é relativo, quando eles tiveram uma primeira discordância, ela veio conversar comigo. Apesar de não ser muito fã do rapaz, joguei a favor do namoro, porque via que eles eram felizes. E assim o fiz por todo o tempo em que eles namoraram.

Ironias do destino, ele tornou-se um dos meus melhores amigos de faculdade, freqüentávamos a casa um do outro e todas as vezes em que eles brigavam, lá vinha ele conversar, para pôr a cabeça no lugar. Sempre voltavam, até que um dia, nem toda a conversa com chá na cozinha do meu apartamento deu jeito. Fiquei triste por eles, principalmente porque ainda via amor.

Cerca de um mês depois do término, ele foi em casa, me ajudar a entender a internet (sim, já fui uma analfabeta digital…).  Senti algo diferente, a proximidade me incomodou, lembro de ter sentido um frio na barriga quando ele passou o braço pelo encosto de minha cadeira. Depois, todas as vezes em que ia a casa dele, não conseguia ficar perto: me fechava em copas, sentia vergonha, mas não sabia exatamente de quê. Sempre dormira na cama dele com ele e outras pessoas em dias de festas. De repente, me vi fugindo louca de tequila, com medo de ter que dormir com ele ali. E, em outra festa, depois de ouvir um poema de Vinícius de Moraes que falava sobre amigos que se tornavam amantes, corri léguas.

O que não queria admitir era que existia uma atração. Isso me fazia sentir mal, porque gostava da menina, não queria que ela ficasse triste.

Claro que dias antes do final do semestre, aconteceu o que tinha para acontecer. E começamos a ficar juntos. Passamos a barreira da amizade, sem divulgar isso, sem fazer alarde. Principalmente para poupar a garota.

Ela descobriu meses depois, quase um ano. Invadiu o e-mail dele e descobriu uma mensagem minha, pedindo desculpas por ter me apaixonado, depois de uma briga. Ela ficou brava, disse que eu era uma traidora, usou nomes que não quero repetir aqui. Parou de falar comigo. Nunca me deixou explicar o que acontecera: tanta proximidade acabou por nos unir. Ele não havia deixado de amá-la, mas resolveu se dar uma chance com outra pessoa.  Eu estava ali.

Meu relacionamento com ele durou três anos, aproximadamente. E terminou como todos os outros: tornamo-nos amigos, chegamos a conclusão que não havia mais tesão entre a gente. Juntos, no mesmo momentos, sem mágoas ou dor.

Anos se passaram, ele está noivo, ela se casou com outro e eu continuo na estrada. Ela acabou de voltar do exterior, onde foi morar com o marido e mandou um e-mail para a lista da sala, quer um emprego. Recebi uma vaga. Depois da conversa com meu chefe, já não passou mais pela cabeça deixar meu lugar, adoro o que faço. Resolvi repassá-la para a menina. Aquela que um dia disse coisas horrorosas a meu respeito.

Vontade de ir para o céu direto? Talvez. Mas acho que foi um jeito de resgatar alguém que se magoou por minha causa, mesmo que não tenha tido culpa.  Quero ajudar e quero que ela entenda que jamais quis causar dor. Não tive escolha quando me apaixonei por ele. Eles já não estavam juntos e eu estava perdidamente apaixonada. Espero que ela entenda.

* O título é uma frase que adoro de Sêneca.

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Entry Filed under: Diário,Em algum lugar do passado...

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