Madonna!
18 18UTC Dezembro 18UTC 2008
Rô
Tags: desilusão, fã, madonna, show, técnica
Apesar do título com exclamação, preciso confessar que não me empolguei tanto quanto esperava com o show da tia.
Saímos da casa da N. às 15h30. O portão principal deveria ser aberto às 17h, então, achamos que quando chegássemos lá, as filas já teriam se esvaído. Engano. Os portões abriram quase 18h e a fila de nosso portão de entrada ziguezagueava pela calçada e pela pista fechada da rua do Estádio do Morumbi. Uma bagunça! Quando pegamos nossos ingressos, um ambulante amigo confidenciou: “Melhor guardar isso na bolsa, moça, senão alguém passa e leva…” Assustadas, esperamos chegar à entrada de fato para puxar os tíquetes. A proibição de entrada de máquina fotográfica parece não ter chegado aos guardas da revista, que não encostaram um dedo em ninguém. Minha carteirinha de estudante (que, aviso, é verdadeira, já que fiz pós este ano…) sequer foi olhada!
Entrar no Morumbi é emocionante. Sou corinthiana, mas não sou injusta: o campo é bonito, bem cuidado e gigante. Divertido ver o mundo do ponto de vista dos jogadores de futebol… Tomei um energético e a N. pediu uma Coca-Cola. Paguei R$ 12 e ela, R$ 3. Aceitável. Duro foi a pipoquinha que ela comprou: R$ 5!
Perto de onde estávamos havia uma lojinha com produtos oficiais da turnê. Não quisemos comprar camisetas lá fora porque eram feias e custavam R$ 20. Lá dentro, o susto: uma camiseta tão estranha quanto, R$ 60! Fala sério. Os óculos em formato de coração, que nem dá para usar fora do estádio, R$ 30. Na 25 de março por R$ 2…
Eis que as 20h, horário marcado para o início da apresentação, sobe ao palco… o DJ Paul Oakefold! O cara é muito bom, vira como se isso fosse fácil de fazer, blablabla Whiskas Sachê. Só que estava frio e ninguém estava lá para ver um DJ. Começo de irritação. Que só piorou com o fim do set e o atraso total de duas horas de tia Madgie!
Pensei que quando ela aparecesse, toda o cansaço e saco cheio sumiriam. Sinceramente? Não foi bem assim. Quando ela finalmente apareceu, foi um desespero, difícil enxergar, gente se amontoando e um monte de gente sem educação nos ombros do namorado, que não permitia que mais ninguém visse nada.
“Candy Shop”: música para procurar um jeito de ver aquele pontinho preto com cabelo amarelo que pula no palco.
“Beats Go On”: Ah, ela está ali. Poxa, não é que ela chuta com força mesmo? Pena que ela fez isso igualzinho nos show do Rio… Muito técnica! E o carro? Cara, o Roberto Carlos colocou um calhambeque no palco em 2004. Qual a novidade nisso???
“Human Nature”: Legal o vídeo com a Britney, mas o desânimo e o cansaço do público é nítido. Todo mundo paradinho, com cara de nada.
“Vogue”: Como assim, é um bootleg com “4 Minutes”? E como assim, ela não canta a música inteira??? Nhé…
Vídeo de “Die Another Day” e performance em ringue: Bem feito, novamente, mas nada de tão maravilhoso assim…
“Into the Groove”, com remix bootlegado com “Jump”: Olha, ela consegue pular corda! Deve ter visto aquele filminho da Disney e se empolgou! O telão mostra um vídeo inspirado ou copiado de Keith Haring. Ponto para Madonna! E, no final, a letra da música, pra ajudar os pobres fãs brasileiros, que, em geral, só olham embasbacados para o palco, pois não falam nem hello em inglês…
“Heartbeat”: Animal! Não achava a música grnades coisas, mas no palco ficou muito boa. Coreografia bacana, a voz da cantora está igual a do CD. Aliás, palmas para o sistema de som, maravilhoso!
“Borderline”: Momento vergonha alheia da noite. Ela desafinou do começo ao fim, só pode ser proposital. Porque se não for, acho melhor ela trocar a música antigona da próxima turnê!
“She’s Not Me”: Detesto a música, mas é divertido vê-la desmontando seus clones. E lembrei muito de um certo Terrorista, que bem merece ouvir isso! No final, com o beijo na cópia da Madonna de “Like a Virgin”, o público gritou pencas. Bobagem, beijo técnico, que ela sempre dá, em todos os shows.
“Music”: Zzzzzzzzzzzzz… Amava esta música na pista, mas não funciona pra show. Falta muito???
Vídeo remix de “Rain”: Xoxo. Amo a música, mas o vídeo é meio bobo. O final é bonito, aquela chuva gigantes e a introdução de…
“Devil Wouldn’t Recognize You”: Minha música preferida do CD, linda e emocionante. Os backing vocal deram show o tempo todo, mas nesta música foi impressionante. Ficou idêntico ao CD e lindo do mesmo jeito! Amei!
“Spanish Lessons”: Odeio! E achei idiota ela tocar isso aqui. Podia ter trocado por algo menos vergonha alheia! A música é ruim grava e ao vivo.
“Miles Away”: Chiclete! É bárbara no palco, dá vontade que não termine nunca! Deve ser uma barra tocar essas coisas tristes depois de uma separação. Ponto para o profissionalismo!
“La Isla Bonita”: E o Morumbi vem abaixo! Lembrei tanto da Trash… Ainda que o final com aquela musiquinha italiana não tenha nada a ver com o clima tropical da canção…
“Doli, Doli, Doli”: Hã?! Música romena? Ah, vai, é engraçadinha… A moça dançando no palco me lembrou a Ângela na Trash, com o Magal… Quantas referências…
“You Must Love Me”: Chorei feito criança ao ouvir a Diva cantando isso. Lembrei de tantas vezes em que me tranquei no quarto e ouvi isso até mal conseguir abrir os olhos de tantas lágrimas. Muito doloroso, mas MUITO bonito. Emocionada demais!
Vídeo que termina com o Obama: Go, Obama, go! É isso aí, Madonna!
“4 Minutes”: Dancei e vibrei muito. Divertido ver o Justin Timberlake em um telão ambulante, repetindo a coreô do clipe com a Madonna ao vivo.
“Like a Prayer”: Eu fui ao delírio. Não sabia mais nada: quem era, onde estava, como tinha ido ao paraíso sem aviso. A única coisa que fiz de racional foi discar o número do meu irmão e deixá-lo ouvir Madonna cantar, comigo aos berros no fundo. Catarse no Morumbi! Obrigada, “God”, por me permitir ter este momento e esta vida fodona que tenho!
“Ray of Light”: Começamos a ir para a saída do estádio. E dançamos num enorme espaço vazio da pista como se não houvesse amanhã. Gritei a música mais uma vez. E fica a pergunta: por que a vida não pode ser a Disco Fever de 1998?
Pedido de fã: “Like a Virgin”: Sem banda, mas com todo o coração do público, que não se importou com a clara falta de tesão da cantora com relação ao show e cantou com toda a força. Detalhe: ela errou a letra e percebeu porque o público cantou certo!
“Hung Up”: Hora de ir embora, correndo! Não gosto de “Confessions on a Dance Floor”, queria sair logo para não ser esmagada, enfim, ouvimos de longe, enquanto procurávamos um táxi, que, sem o show terminar, já era artigo de luxo na porta do local. Tivemos que subir a rua toda para encontrar um!
Pelo rádio, ouvimos a última canção: “Give It 2 Me”. E os agradecimento mecânicos do final do show.
É legal? É. Vale a dinheirama que custou? Não. Por um motivo simples: ela mais parece um robô que um ser humano. Tudo é muito calculado, muito perfeitinho. E os telões e efeitos são muito, muito fraquinhos.
Amo Madonna, sempre vou amar. Mas em CD e DVD é mais fácil não ter desilusões. Se hoje tivesse que ir ao show de novo, não sei se teria saco…
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