Aperto
18 18UTC Junho 18UTC 2008
Rô
Tags: doença, medo, olhos, pai, tristeza
Quando liguei para casa ontem e minha mãe me chamou pelo meu nome, e não pelo apelido, fiquei encafifada. Ela nunca me chama assim se não estiver nervosa com alguma coisa. Ela disse que estava tudo bem, mas era óbvio que havia mentido.
Hoje de manhã, ela me contou que meu pai ficou parcialmente cego por alguns minutos ontem e que, claro, ficou desesperado com isso. Para piorar, o oftalmo não quis atendê-lo porque ele não havia marcado horário antes (como se em urgência, desse para marcar horário!).
Levou-o agora há pouco a outra clínica e descobriu-se que um acidente que ele sofreu há 47 anos fez um ferimento no olho dele e que, por isso, a visão não se desenvolveu direito. Para compensar, o outro olho se superdesenvolveu, o que levou o machucado a querer parar de funcionar. Fará um tratamento durante uma semana e, provavelmente, usará óculos de correção fortes por um tempo.
Fiquei com medo. Fiquei triste. Se fosse comigo, ok. Agüento bem e, se algo de grave me acontecesse, o mundo não perderia grandes coisas. Agora com meu pai e minha mãe? Não! Eles não merecem e nem suporto pensar em vê-los sofrer. Nessas horas, eu rezo para morrer logo.
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