Archive for Maio 25th, 2008




Resposta

“Oi…

Eu vi que você faz jornalismo. Bem é a profissão que estou pensando em seguir,quero prestar vestibular e tudo,gosto dessa área e me identifico, queria lhe pedir um favor se tem como vc me dar dicas para saber se é isso mesmo que procuro e quero,como foi na faculdade,como foi para conseguir o emprego,se o mercado de trabalho na area de jornalismo é cheio,bem se poder me responder te agradecerei muito!
E boa sorte em seu trabalho e profissão!

bjus
Brigada
;*

Luana

Oi, Luana, tudo bem?

Antes de mais nada, obrigada pelo comentário. Todo blogueiro é carente, sabe como é?

Vamos à vaca fria. Você pensa em prestar vestibular para Jornalismo e não sabe se o faz ou não. Entendo como é, há dez anos estava no mesmo dilema. Durante boa parte do Ensino Médio, achava que prestaria Direito e, depois, me tornaria juíza por concurso. Quando descobri o tanto de coisas que teria que ler e estudar para ser uma advogada e / ou juíza mediana, fiquei assustada. Ao mesmo tempo, tive contato com Jornalismo, profissão que também foi abraçada pelo meu único irmão, que, mais velho, terminou a faculdade quando eu estava no segundo ano do que chamávamos colegial. Ele fazia parecer ótimo, muito interessante. E é mesmo!

Passei a querer isso para mim também e, em 1999, comecei na Universidade Estadual Paulista (UNESP), em Bauru (SP). Para ser muito sincera, não precisei de muito esforço, não. E não falo sobre o vestibular. A faculdade foi o período em que mais fiz festa e me diverti em toda a minha vida. O que menos fazia era estudar. Tem lá suas pedreiras, como Semiótica e Teorias da Comunicação, nada que vá fazê-la sofrer muito. Quatro anos depois, em dezembro de 2002, apresentei meu projeto experimental, também conhecido como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e, bingo!, me formei.

O problema não é a faculdade, acredite. A dor vem depois. De 2002 até 2004, consegui dois ou três trabalhos como freelance, isto é, sem vínculo empregatício. Foram dois anos de desemprego, fato que já ocorrera com meu irmão. Quando finalmente consegui emprego, estava prestes a desistir e ir trabalhar em loja de shopping, de tanto desespero. O mercado é pequeno, existem milhares de profissionais. Resultado? Desemprego, desespero e salários minúsculos. Se não tivesse o apoio e condições financeiras de meus pais, não teria conseguido.

Trabalhei dois anos com assessoria de comunicação – área que mais emprega, diga-se de passagem – e hoje sou repórter de revistas especializadas. Reclamo pencas, como deu para perceber pelo blog. O salário ainda é baixo, hora extra não existe (e não só aqui, na maioria das empresas jornalísticas), trabalha-se intensamente e muito. Mas, quer saber? É viciante. Quando você vê o resultado, quando a revista chega em minhas mãos, quando alguém elogia alguma reportagem que fiz, poxa, é maravilhoso! E conviver com os colegas, poder escrever sobre temas quase sempre interessantes (por exemplo, filmes que ainda vão sair e que somos convidados a ver antes de todo mundo), aprender que o que se escreve pode mudar, sim, algumas coisas, é muito bom.

A faculdade te dá a teoria, a prática te faz jornalista.

Agora, não posso responder se você deve ou não fazer Jornalismo. Profissão é algo muito pessoal, só quem pode saber isso é você mesmo. Contudo, permita-me uma observação. Talvez pela pressa em escrever ou pela ansiedade que o assunto te causa, você deu escorregadas no português que não são admissíveis na profissão. Fique atenta!

Beijos,

Romah

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