À minha moda
23 23UTC Abril 23UTC 2008
Rô
Tags: brechó, história, Moda, roupas
Entre dor de garganta, gripe, Isabella (que já deu no saco!), padre voador e terremoto, salvaram-se quase todos.
Tava navegando à esmo na internê hoje e achei um mar de brechós virtuais. Conhecia o Filet para Quem é Mignon, da Cristiana Guerra, que é a mesma do Hoje Vou Assim e do Para Francisco. Tem um mar, para mulheres e até mesmo homens de todos os tamanhos.
Fiquei pensando se poderia fazer o mesmo e me surpreendi ao perceber que não, não tenho o desprendimento necessário.
Costumo dar minhas peças usadas (ou não!) para pessoas que conheço. Amigas, primas, tias, a super Méri, que cuida da gente nos finais de semana. Gente que sei que usa cada uma das roupas que pega comigo, que se diverte ao escolher o que quer. Que sabe o quanto amo minhas roupas, mesmo aquelas que não usei.
Claro que tem coisas que nem lembro onde comprei. São nove – sim, isso mesmo -, nove portas de armário, tenho peças que estão para completar seis anos e que só serão postas em uso agora, porque a moda foi, voltou e agora dá, porque eu achei no fundo do armário (não é à toa que mamãe e eu estamos com gripe e alergia!). Mas algumas peças estão lá, guardadinhas, mesmo que já não me sirvam.
Tenho meu primeiro vestido, presente de minha madrinha de batismo, que usei quando tinha dois meses. Vermelho (Almodóvar desde bebê) com avental branco. Tenho o vestido das Bodas de Ouro de meus avós paternos, de cetim branco com sobre-saia em linho branco bordado com flores azuis bem clarinhas. O vestido em que fui à colação de grau de minha mãe, no mesmo estilo, branco com laçarote rosa (repolhinho, segundo meu santo irmão). Meu primeiro vestido de mocinha, ainda da Petistil, na verdade um macaquinho de veludo molhado. O vestido com que estava quando tomei meu primeiro fora doloroso (porque não só de bons momentos é feita a vida). O primeiro longo que usei – preto com um X de strass nas costas, está na sacola, assim como o sexy que usei no casamento de meu primo no interior. O conjunto longo azul piscina da Zoomp da formatura do Gordolino. O azul marinho arrasa-quarteirão da M.Officer de um baile da primavera, quando decidi ser mulher de verdade. E, óbvio, meu vestido de formatura, aquele que quis tão tradicional, quando todos esperavam a maior das maluquices.
É como se nas costuras das peças estivesse também costurada minha história. Cada gota de suor, cada sorriso e lágrima.
Lá, um dia, estarão o vestido com que fui madrinha de minha prima, aquele com que me formarei no MBA, no Mestrado, no Doutorado… E, quem sabe, aquele com que me casarei.
Futilidade? Talvez. Mas cada um faz coleção daquilo que mais gosta. Alguma dúvida sobre qual é minha paixão?
Por isso mesmo, não sou muito adepta de usar roupas que já foram de outras pessoas. Porque não quero carregar a história alheia por aí.
Quer minhas roupas? Esteja por perto. Mereça.
Entry Filed under: Diário, Moda
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