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Sobre o como esquecer
Nunca soube gostar um pouco. Talvez pelo sangue italiano, ou pelos genes cearenses (sim, meus avós são da terrinha), tenho tendência a levar todo e qualquer sentimento ao extremo. Isso fez com que durante dez anos eu amasse a mesma pessoa. Depois, ficasse apaixonada por mais três anos por um outro amigo. E mais três por um outro.
Se isso normalmente é bom, porque não tenho como ter dúvidas do que sinto, também tem um lado bem complicado. Principalmente se lembrar que não sou lá muito de gostar de pessoas que sintam o mesmo por mim. Sofro horrores para esquecer e conseguir virar amiga, é sempre muito difícil.
Com o tempo, aprendi que o truque é me afastar, deixar a pessoa fora de minha vida por um tempo, eliminar qualquer rastro do cidadão até que esteja refeita e possa olhá-lo só como amigo, sem pensar mais nada, sem me iludir. Só que isso não é fácil, porque as pessoas não querem – com razão – ser limadas da vida de ninguém. E, ao mesmo tempo, eu preciso fazer isso ou não saro, não sou capaz de conviver, fico mal.
Talvez minha única defesa seja essa: eu preciso sumir para poder continuar e lá na frente voltar de outra forma, com mais leveza e menos pressão.
É engraçado perceber que sim, eu erro. Mesmo que para melhorar, faço coisas que magoam e reconheço isso. Tento me desculpar, me fazer entender, nem sempre funciona.
Seria tão bom que as pessoas entendessem que amor não morre, mas precisa de tempo e paciência para se transmutar.
Add comment 8 08UTC Abril 08UTC 2008