Archive for Abril, 2008
Eneas
Interrompemos nossa programação normal para avisar que hoje, além de véspera de feriado, é aniversário do multimídia Eneas Neto, jornalista, DJ, o homem por trás do FiberOnline e da Fiber Interactive e um dos donos da Trash 80’s. Se nada disso funcionar, mais um dado: ele é meu ex-patrão. E antes que alguém pense alguma bobagem, apesar de ter saído do emprego, gosto muito dele, sim.
A primeira vez que o vi? Bem, ele estava bravo e metido em uma briga. Melhor passar para a segunda, a terceira, a enésima vez… Porque, como ia sempre à festa, sempre passava por ele. E, com o tempo, mesmo sem falar conosco (sempre estava com pelo menos uma amiga), ele sorria e nos fazia sentir em casa. Oba! O DJ nos reconhece!
Até que… Era 2004 e eu estava desempregada havia dois anos, desde que me formara. Tinha feito freelas, mas trabalho fixo que era bom, nada. Ninguém dava chance, não tinha experiência. Um dia, vejo no grupo da Trash um pedido do Eneas para achar um jornalista para a assessoria. Mandei meu currículo e – pasmem! – ele me chamou para uma entrevista. Foi esquisito vê-lo de dia e atrás de uma mesa de escritório. Ele fez perguntas sobre minha faculdade, sobre minha relação com a Trash e… Despencou a me passar o que eu tinha para fazer! Chamou a Ligia, para que ela me explicasse como tudo deveria ser feito. E eu com cara de tonta, sem entender direito. Depois de várias explicações técnicas, ele lembra e me avisa: “Ah, você está contratada. Começa agora mesmo!”. Tão ele mesmo isso: primeiro solta todas as informações, depois percebe que faltaram detalhes básicos como quem?! O quê?!
Foram dois anos de convívio e só percebi o quanto gostava dele mesmo, o quanto era bom ser amiga quando saí de lá brigada. Sim, nem tudo foram flores. Imagine meu humor de ursa na tpm com o humor dele, de taurino que leva zodíaco a sério. Pois bem, saiu faísca. E, por alguns dias, tive muito medo de ter sido o fim. Só então, como é bem típico de minha leseira, percebi que era ele o homem quem tinha transformado minha vida nos últimos anos.
Vejamos. Quando voltei de Bauru, meus amigos de colégio tinham as próprias vidas e os de faculdade tinham ficado no interior. Onde achei novos amigos? Na Trash. Que é de quem?
Quando estava desempregada, sem saber mais o que fazer, quem me estendeu a mão? Quem me levou para o mundo dos comunicadores que exercem suas profissões?
Graças a Deus, a crise passou. E hoje, eu posso dizer que, apesar de não vê-lo sempre (e quem eu vejo ultimamente além dos meus pais e do povo do trabalho?), ficou uma história boa, de carinho e respeito.
Melhor que isso, só saber que hoje é dia de festa literalmente, que hoje tem Trash como antigamente, com os amigos, com as maluquices. E com ele, é claro.
Add comment 30 30UTC Abril 30UTC 2008
Saco na lua
Não sei quanto a vocês, mas reuniões inúteis me estressam muito. Principalmente quando antes mesmo de acontecerem, já sei que serão assim.
Eu gosto do que faço, juro. Mas toda vez que tem reunião aqui, prevejo uma dor de cabeça desnecessária para mais tarde. Só quem vai falar são os diretores, vamos servir de platéia. Seria mais inteligente que eles se reunissem e depois informassem ao resto o que aconteceu, não? Depois ninguém entende por que nosso patrão acha que temos tempo sobrando…
Para piorar, dois assuntos espinhosos estavam na pauta de hoje. Dois assuntos que, sinceramente, me deixam mordida.
Quando entrei aqui, tinha basicamente que escrever para a publicação principal e ajudar nas outras caso fosse necessário. Agora, tenho responsabilidades para todos os lados. Tudo estaria bem, não fosse o fato de que não vejo um centavo a mais no final do mês. Nem horas extras, nem prêmio, que foi prometido quando comecei. E tem gente que ainda quer me cobrar coisas como “dirigir”. Ok, eu dirigirei, se me pagarem a mais por tudo o que faço de além. Serve? Por que eu tenho que cumprir tudo o que prometo se não há contrapartida?
Por mais que adore as pessoas com quem trabalho e que entenda o posicionamento de advogado do diabo às vezes, lamento, mas se tem uma coisa que não vou fazer é pegar trabalho a mais, principalmente porque sei que seria me estressar mais pela mesma coisa no final do mês. Já fiz isso antes pelo menos três vezes. Agora chega. E se não estiver bom, pode me mostrar onde assino.
Add comment 29 29UTC Abril 29UTC 2008
Só para variar…
Uma das coisas que mais mexeram comigo neste final de semana que passou foi uma declaração da N. a meu respeito. Conversávamos sobre um amigo dela, que só vejo em aniversário dela. Sempre rola uma piada de que a gente não fica junto sabe Deus por que. Fomos ao banheiro e ela me perguntou se ia acontecer. Respondi que não acontecia porque ele não tomava uma atitude e eu também não estava disposta a ir atrás (coisa que não faço mesmo, pode me chamar de machista).
Ela: – Ele até quer ficar com você, eu acho, mas não tem coragem. Você é mulher demais para ele, B., ele fica assustado.
Analisemos, então. Primeiro, o que significa ser mulher demais? Dúzias de interpretações me ocorrem. Sou alta demais? Ele é mais alto que eu, não confere. Sou bonita demais? Fala sério, quem dera fosse esse o problema! Sou independente demais? Pode ser que seja, sim, mas se assustar com isso? Realmente, não vai dar certo.
Tenho consciência de que muita gente olha para mim e pensa que não preciso de mais ninguém, que me basto sozinha. A questão é que é óbvio que isso não é verdade. Ninguém é uma ilha de auto-suficiência, nem os bastardos arrogantes como eu. (Risos). Tem dias em que quero carinho, em que minha carência bate recordes e em que baixo a guarda. Claro que não para qualquer um, mas acho que depois de nove anos, passou da hora da pessoa perceber, né? Ou não. Talvez realmente não seja o caso.
O que me deixa passada é perceber que tenho uma imagem tão complicada até para quem me conhece como a N., que sabe minhas virtudes e defeitos de trás para frente. Então eu sou uma mulher moderna (sim, já ouvi isso), independente e que não precisa de afeto porque tem o que precisa em excesso? Duvido que exista no mundo alguém que realmente seja assim. Máscara feminista idiota, que não me satisfaz nem um pouquinho.
Eu trabalho, ganho meu dinheirinho, estudo, mas sou humana, exatamente como todo mundo. Tenho meus dias ótimos e meus bad hair days. Então, por favor, dá para parar de generalizar com o que sou e me enxergar como mulher de vez em quando?
Add comment 29 29UTC Abril 29UTC 2008
Bonito, mas óbvio
Ao ver o trailer de Desejo e Reparação, achei que seria um filme interessante, bem ao estilo Jane Austen, que já rendeu películas como Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade. Ao folhear a DVD News deste mês, que chegou quentinha em minhas mãos de manhã (não percam as seções de News, Seriados e Home Theater, cuidadas por esta que vos escreve!), notei que havia material sobre o longa baseado no romance de Ian McEwan. Perguntei ao Terrorista se tínhamos o DVD e ele: “Temos o sample” (leia-se, cópia sem legendas em português). Pedi emprestado, lógico e, antes que eu sequer lembrasse do pedido, o moço me entregou.
A história é simplezinha: dois jovens se apaixonam. Ela é da alta sociedade, ele é filho do caseiro dela. Ela tem uma irmã de 13 anos que também se encanta com o rapaz e, quando descobre do romance da mais velha com ele, transforma uma cena que pensa que viu em uma tragédia. Acusa o rapaz de estupro de outra garota e o faz parar atrás das grades, de onde ele só sai para ir à guerra, enquanto a irmã se desespera.
Não vou contar mais, mas dá para saber sem assistir o que vai acontecer. Senti-me o próprio Gordolino, que sempre sabe o final de qualquer roteiro, que é até bem amarrado, mas bastante óbvio. Vá lá, o longa é bonito, capricharam na fotografia, o James McAavoy é de perder o rumo de tão lindo e a Keira Knightely não fica atrás, apesar da clara anorexia. Agora, comparar a Austen, não dá. A história é fraquinha demais para tanto, o autor precisa comer muito pudim de rim para chegar perto…
A quem interessar, o filme sai pela Universal.
1 comment 28 28UTC Abril 28UTC 2008
Falência
Foi um dia de sair de casa na marra, como aconteceu durante todo o final de semana. Ontem eu nem falei, mas foi aniversário de minha melhor amiga, minha irmã. Fiquei tão triste que nem comentei, totally my fault. Enfim, hoje fui almoçar com meus pais no shopping e comprar alguma coisa para a moça. (Apreveitei e fiz comprinhas para mim também, mas nem isso me animou).
Fui para a casa dela e ficamos conversando durante um tempo. À luz do sol, os problemas parecem bem menores. Aliás, o meu maior problema agora é complicado, mas nada que me afete tanto quanto o de sexta. Descobri, ao conversar com a N. que estou praticamente falida, tudo por conta de um único evento: o casamento de minha prima, minha primeira afilhada oficial.
Vestido: R$ 183 / mês (quatro meses)
Sapato: R$ 53,30/ mês (três meses)
Meia-calça: R$ 18,90
Presente: R$ 40,81/ mês (12 meses!)
Só aí, já temos quase R$ 300, fora o que ainda falta, como quarto para ficar em Bragança, cabelo, maquiagem e um bendito brinco que preciso comprar. Sem falar nas outras contas que tenho normalmente, tipo MBA, cama, câmera digital, cartão de crédito, celular…
Para desanuviar um pouco, sábia decisão: ir tomar uma cerveja no Frangó. Pelo menos com cerveja, o bolso fica anestesiado…
Add comment 27 27UTC Abril 27UTC 2008
Intersecção
Fiquei em uma tristeza absoluta ontem. O problema não é meu, não fui eu quem abandonei um sonho para continuar a viver um pesadelo. Porém, me abateu, me enfraqueceu mesmo. Ver alguém que amo mal me deixa acabada, abalada a ponto de não conseguir falar.
Escrevi longas páginas para ele, sobre medo, risco, coragem e covardia, sendo que eu mesma não sei se posso dizer que ajo da forma como acho correta. Não fui capaz de falar com ele, de conversar, de dizer o que precisava quando pude fazê-lo. Foi preciso muito choro no caminho de volta para casa para concatenar todas as idéias e colocá-las no papel, ou melhor, em um e-mail, que não sei se ele entenderá. Se não entender, perderei uma das pessoas que mais amo. Se entender, espero que ajude.
Não podia calar o que me veio. Já calei demais à respeito de muito do que sinto sobre ele. Até obediência tem que ter limites e eu o obedeci cegamente por longo tempo. Ontem precisei quebrar determinadas amarras para tentar aplacar a dor dele, que também é minha.
Add comment 26 26UTC Abril 26UTC 2008
:)
"Depois do céu tem outro céu
Ou nem o céu existe mais
Será que o sol é de papel
Será que as nuvens são de gás
Se o mar começa em outro mar
Quem é que tira o sol do sal
Antes do dia começar
A noite é quase imortal
Se nada tem um fim
Quem é que fez o não
Se a nossa vida quer assim
Refrão
Eu viajei no tempo só por você
E me perdi no final
Quando encontrei seu olhar
Nossos destinos desenhando espirais
Eu entendi o sinal
Pelo seu jeito de rir pra mim
Se existe outra dimensão
Em que você não é você
Quem é que sabe a direção
Pra encontrar quem não se vê
Se o tempo sempre tem razão
Que tudo sempre vai mudar
Pra que manter os pés no chão
Se todo mundo quer voar
Se nada tem um fim
Quem é que fez o não
Se a nossa vida quer assim"
("Espirais" - Marjorie "Maria Paula" Estiano)
1 comment 25 25UTC Abril 25UTC 2008
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