Veio e foi embora
11 11UTC Fevereiro 11UTC 2008
Rô
Tags: alívio
Ele foi embora e não o vi. Não que não tenha querido ou tenha desprezado a passagem dele. Para ser sincera, a maior parte do tempo sequer lembrei que estava aqui. Viajei, trabalhei horrores, simplesmente não encaixou na agenda. Coisa que seria impossível a algum tempo.
Ontem pensei nele, até quis ligar. Aí, percebi que ele não se importaria em me ver ou não. Se ainda se importasse, teria ligado, dado notícias, cobrado. E notei também que eu não me importava em não vê-lo. Senti saudade quando não estava aqui, às vezes tenho vontade de conversar, mas é como brinquedo de criança mimada: dura pouco.
É engraçado porque tenho consciência do exato momento em que se rompeu dentro de mim. Descia a rua Augusta sozinha, na última despedida dele. E caiu a ficha de que ele só me tinha por perto quando eu me aproximava. Que eu ficava mal de vê-lo ir, mas para ele isso não causava dor nenhuma. Que se eu quisesse sarar, precisava do afastamento, muito auxiliado por saber que ele havia dito que eu não merecia consideração. Doeu, senti raiva, esqueci, lembrei e passou.
Gosto dele e ainda assim foi um alívio saber que sobrevivo sem vê-lo, sem ter notícias, sem correr e semi-enfartar todas as vezes em que ele vem.
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